Resposta rápida
O terceiro trimestre de gravidez vai da semana 28 (contada a partir da última menstruação) até o parto, previsto para 40 semanas, ou seja, do 7º ao 9º mês. Na agenda: consultas quinzenais e depois semanais, a repetição dos exames de sangue, o ultrassom do 3º trimestre, o plano de parto, a licença-maternidade (120 dias, ou 180 em empresas cidadãs, a partir de até 28 dias antes do parto) e a mala da maternidade. Um parto entre 37 e 41 semanas e 6 dias é considerado a termo.
Os exames e o ultrassom do 3º trimestre
A partir de 28 semanas, as consultas passam a ser quinzenais e, a partir de 36 semanas, semanais. Vários exames do início são repetidos para proteger a reta final:
- exames de sangue: hemograma, testes para HIV, sífilis e hepatites, e toxoplasmose se você não for imune;
- urina e urocultura, para detectar infecções urinárias, que podem desencadear contrações;
- pesquisa do estreptococo do grupo B (coleta vaginal e retal entre 35 e 37 semanas), feita em muitos serviços para decidir se é preciso antibiótico durante o parto;
- Rh negativo: Coombs indireto e, conforme o caso, imunoglobulina anti-D por volta de 28 semanas.
Muitos médicos pedem também um ultrassom obstétrico do 3º trimestre — em Portugal, a ecografia do 3º trimestre, por volta das 30 – 32 semanas —, às vezes com Doppler. Ele verifica:
- o crescimento do bebê: peso estimado, medidas da cabeça, do abdômen e do fêmur;
- a posição: de cabeça para baixo (apresentação cefálica, a mais frequente), sentado (pélvica) ou atravessado (córmica) — algo que ainda pode mudar;
- a placenta: sua localização, sobretudo a distância em relação ao colo do útero;
- o líquido amniótico: sua quantidade, que reflete o bem-estar do bebê.
Se o bebê estiver sentado, a equipe pode propor uma versão cefálica externa (manobra para virá-lo) ou discutir a via de parto: nada está decidido em definitivo com 32 semanas.
Licença-maternidade: a duração conforme a sua situação
No Brasil, a licença-maternidade é um direito garantido pela Constituição. Durante esse período, a trabalhadora recebe o salário-maternidade, benefício da Previdência Social: para empregadas com carteira assinada, ele é pago pela empresa, que é reembolsada pelo INSS; para contribuintes individuais, MEIs, seguradas facultativas e desempregadas que mantêm a qualidade de segurada, é pedido diretamente ao INSS (pelo Meu INSS ou pelo telefone 135).
| Situação | Duração | Início |
|---|---|---|
| Empregada com carteira assinada (CLT) | 120 dias | A partir de até 28 dias antes do parto |
| Empresa do Programa Empresa Cidadã | 180 dias (120 + 60) | Prorrogação pedida até o fim do 1º mês após o parto |
| Servidora pública federal | 180 dias | Regras próprias; estados e municípios podem ter regras diferentes |
| Contribuinte individual, MEI, facultativa | 120 dias de salário-maternidade | Pedido no Meu INSS |
| Portugal — licença parental inicial | 120 ou 150 dias | A mãe pode gozar até 30 dias antes do parto; 42 dias obrigatórios após o parto |
Se a mãe ou o bebê ficarem internados por mais de duas semanas após o parto, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a licença e o salário-maternidade passam a contar a partir da alta. As regras e os valores atualizados estão no site do INSS; em Portugal, na Segurança Social.
Plano de parto, alívio da dor e via de parto
O 3º trimestre é o momento de finalizar o plano de parto com a sua equipe: quem será o seu acompanhante (direito garantido pela Lei nº 11.108/2005), posições de preferência, liberdade para se movimentar, contato pele a pele e amamentação na primeira hora. Converse também sobre o alívio da dor: métodos não farmacológicos (banho morno, massagem, bola, respiração) e a analgesia de parto, como a peridural, quando disponível no serviço.
Sobre a via de parto, o parto normal é o recomendado quando não há contraindicação. No Brasil, a resolução do Conselho Federal de Medicina permite a cesárea a pedido da gestante, desde que bem informada e realizada a partir de 39 semanas completas, para reduzir os riscos de prematuridade para o bebê.
A mala da maternidade: a lista
Deixe-a pronta de preferência por volta de 34 – 36 semanas, para não ser pega de surpresa por um parto antecipado. Confira antes com a maternidade o que ela fornece e o que é preciso levar. Conte com uma internação de 2 a 3 dias após um parto normal, um pouco mais após uma cesárea.
Para o bebê
- 6 a 8 bodies e macacões (tamanho RN e P)
- Casaquinhos ou blusinhas de manga longa
- Touca, meias e luvinhas
- Manta ou cueiro
- Fraldas de recém-nascido e lenços (confira se a maternidade fornece)
- Roupa de saída adequada à estação
- Bebê conforto para a volta de carro
Para você
- Camisolas ou camisetas largas (abertas na frente se for amamentar)
- Sutiãs de amamentação e absorventes para seios
- Calcinhas confortáveis e absorventes pós-parto
- Itens de higiene e toalha (se o hospital não fornecer)
- Roupão, chinelos e meias
- Hidratante labial e elástico de cabelo para o trabalho de parto
- Carregador de celular e algo para passar o tempo
Os documentos
- Documento com foto (RG ou CNH) e CPF
- Cartão Nacional de Saúde (SUS) ou carteirinha do plano
- Caderneta da Gestante
- Exames de sangue e ultrassons recentes
- Plano de parto, se você fez um
- Certidão de casamento, se for casada (ajuda no registro do bebê)
- Documento do acompanhante
Quando ir para a maternidade?
Três situações devem levar você à maternidade — ou, no mínimo, a ligar para lá ou para a sua equipe, que vai orientar:
- Contrações regulares, doloridas e cada vez mais próximas: na primeira gravidez, a referência clássica é uma contração a cada 5 minutos, com cerca de 1 minuto de duração, por 1 hora; vá antes se a maternidade for longe ou se não for o seu primeiro filho.
- Rompimento da bolsa: mesmo sem contrações, mesmo que a perda de líquido seja pequena, vá sem demora.
- Qualquer sinal incomum: sangramento, diminuição clara dos movimentos do bebê, febre, dor de cabeça forte com visão embaçada ou dor no alto da barriga (sinais possíveis de pré-eclâmpsia) → pronto-atendimento obstétrico, a qualquer hora.
Na dúvida, ligue ou vá: as equipes de plantão preferem uma avaliação “à toa” a um atraso.
Depois de 40 semanas: termo, pós-datismo e indução
A DPP é calculada para 40 semanas, mas é apenas uma estimativa — poucos bebês nascem exatamente nesse dia. As categorias usadas pelos obstetras são:
- termo precoce: de 37 semanas a 38 semanas e 6 dias;
- termo completo: de 39 semanas a 40 semanas e 6 dias;
- termo tardio: de 41 semanas a 41 semanas e 6 dias;
- pós-termo: a partir de 42 semanas.
Se o bebê ainda não nasceu com 40 semanas, você não está “atrasada”: entra numa fase de vigilância reforçada, com avaliações do bem-estar do bebê (cardiotocografia e ultrassom do líquido amniótico) a cada poucos dias. A indução do parto costuma ser oferecida entre 41 e 42 semanas, pois a placenta tende a funcionar menos bem depois disso.
Para rever todo o percurso, volte ao guia dos trimestres da gravidez, à página do 1º trimestre ou à do 2º trimestre; e, para traduzir suas semanas em meses a qualquer momento, o conversor de semanas em meses é a ferramenta mais simples.
Perguntas frequentes
Quando começa a licença-maternidade?
No Brasil, a licença-maternidade pode começar a partir de 28 dias antes do parto ou na data do nascimento. Ela dura 120 dias para a trabalhadora com carteira assinada, ou 180 dias se a empresa participa do Programa Empresa Cidadã. O salário-maternidade é um benefício da Previdência Social; informações no INSS.
Quando devo ir para a maternidade?
Quando as contrações ficam regulares, doloridas e cada vez mais próximas (na primeira gravidez, a referência é uma contração a cada 5 minutos, durando cerca de 1 minuto, por 1 hora), ou imediatamente se a bolsa romper, se houver sangramento, se o bebê mexer bem menos que o habitual ou se surgir dor de cabeça forte com visão embaçada.
O que acontece se a gravidez passar de 40 semanas?
A DPP é só uma estimativa: um parto até 41 semanas e 6 dias ainda é considerado a termo. A partir de 40 a 41 semanas, a equipe passa a avaliar o bem-estar do bebê com mais frequência (cardiotocografia e ultrassom), e a indução do parto costuma ser oferecida entre 41 e 42 semanas.
O que o ultrassom do 3º trimestre avalia?
Ele verifica o crescimento e o peso estimado do bebê, sua posição (de cabeça para baixo, sentado ou atravessado), a localização da placenta e a quantidade de líquido amniótico; com Doppler, avalia também a circulação. Ajuda a equipe a planejar o parto.
Posso escolher fazer uma cesárea?
No Brasil, uma resolução do Conselho Federal de Medicina permite a cesárea a pedido da gestante, depois de informação sobre riscos e benefícios, desde que realizada a partir de 39 semanas completas. Converse sobre isso com seu médico e registre suas preferências no plano de parto.